II Congresso Nacional de Planejamento e Manejo de Trilhas

O II Congresso Nacional de Planejamento e Manejo de Trilhas e a Jornada de Iniciação Científica do II CNPMT, é uma iniciativa do Grupo de Estudos Ambientais-GEA e do Laboratorio de Geoprocessamento – LAGEPRO, do Departamento de Geografia Física da Universidade do Estado do Rio de Janeiro e serão realizados de 16 a 18 de outubro na cidade do Rio de Janeiro em conjunto com o I Colóquio Brasileiro para a Red Latinoamericana de Senderismo, evento este preparatório para a participação nacional no I Congreso de la Red Latinoamericana de Senderismo, que ocorrerá no Chile em 2014, quando será abordado o progresso feito para a rede até o momento. Antecedentes:

Inspirado no I Congresso Nacional de Planejamento e Manejo de Trilhas, realizado na UERJ, Rio de Janeiro, aconteceu nos dias 4, 5 e 6 de Outubro de 2012 na cidade de Piriápolis (Maldonado, Uruguai), o primeiro Congreso de Planificación y Manejo de Senderos del Mercosur , com representantes da Argentina, Brasil, Chile, Paraguai, Venezuela e Uruguai; onde abordaram várias questões inerentes, concluindo com a assinatura de “Declaração de Piriapolis”, um documento que inicia a formação da “Red Latinoamericana de Senderismo”, em cujos objetivos se destacam o fomento da pratica democrática da caminhada em países latino-americanos e estímulo à inclusão das práticas de esporte e turismo em trilhas nas políticas públicas, iniciativas privadas e sociedade civil, assim como a extensão da Rede a outros países e atores latinoamericanos.

Justificativa

Trilhas são as principais estruturas de manejo da visitação em áreas protegidas, atuando como vetores de dispersão e orientação do fluxo de usuários, buscando concentrar os efeitos do uso público em áreas pré-determinadas. Estruturalmente a trilha é um corredor definido a partir do corte raso da vegetação para o estabelecimento da zona de pisoteio (área útil efetivamente utilizada pelo usuário em seu deslocamento) e a área marginal de manejo, onde a vegetação é mantida controlada para evitar seu fechamento. Esse conjunto compõe o que se chama de “corredor” da trilha. Suas dimensões variam conforme o objetivo, perfil do visitante e zoneamento e as dimensões longitudinais e laterais podem significar maior ou menor “área de sacrifício” e consequentemente seu nível de influência no tecido florestal. Muitas vezes podem atravessar diferentes ambientes naturais com diferentes limiares de fragilidade e consequentemente promover variados espectros de impactos locais.

Atualmente assistimos a incremento à visitação em unidades de conservação brasileiras e a popularização das práticas de lazer, esporte e diversas segmentações do turismo na natureza. Contudo, mesmo com a evolução das metodologias de monitoramento e diagnósticos sócio-ambientais para gestão do uso público em áreas protegidas, muitos impactos na flora e na fauna são de difícil percepção e mensuração, tanto por limitações técnicas quanto em recursos humanos e materiais. Para a realidade brasileira, onde a maior parte das atividades de lazer, esporte e turismo na natureza se desenvolvem em áreas protegidas, este é um aspecto que pode comprometer sensivelmente a eficiência funcional de unidades de conservação principalmente para as consolidadas como de proteção integral.

Dentre algumas particularidades, destaca-se que a gestão do uso público evoluiu, mas muito da “governança” que se estabelece atualmente como modelos de gestão em algumas unidades de conservação nacionais, tendem a se caracterizar muito mais como uma opção de mediação de conflitos entre diferentes grupos sociais com interesses específicos de uso, do que propriamente com a consolidação de políticas públicas de preservação e/ou conservação do patrimônio genético, habitats e paisagens protegidas, mesmo considerando as limitações impostas legalmente para áreas de proteção integral, onde a manutenção da biodiversidade deveria ter precedência na tomada de decisão assim como consubstanciar ações de conscientização e Educação Ambiental para a solução de conflitos sociais nas áreas protegidas.

Neste sentido, observou-se que embora exista uma gama variada de eventos afins ao tema de gestão de áreas protegidas, tanto de turismo e de conservação propriamente dita, o tratamento das trilhas sob a ótica de sua importância no manejo e gestão do uso público em áreas protegidas e da manutenção de sua biodiversidade ainda é muito pouco abordado. Assim, o II CNPMT propõe um amplo debate sobre a gestão de áreas protegidas a partir da análise dos aspectos geográficos e ecológicos do manejo de trilhas buscando responder perguntas como:

  • O fluxo e o comportamento dos visitantes nas trilhas pode interferir na dinâmica de populações animais e vegetais e significar um risco à sua manutenção?
  • As trilhas podem caracterizar efeito de borda a ponto de promover a fragmentação florestal significativamente?
  • As metodologias aplicadas no manejo e monitoramento da visitação e seus impactos são eficazes?
  • A implantação de trilhas para a visitação em áreas com diferentes graus de conservação pode ser um facilitador para a migração de espécies generalistas e animais domésticos ferais, por exemplo, com consequências para as populações protegidas locais?
  • Em discussões sobre uso público e manutenção de espécies ameaçadas ou em risco de extinção, que aspectos de governança podem ser considerados efetivos para a gestão de áreas protegidas?
  • Como a implantação de redes de trilhas ou trilhas de longo percurso contribuem para a inclusão social, a manutenção de culturais locais e promoção da Geodiversidade?
  • Estratégicamente a valoração do patrimônio geológico deve ser associada a conservação da Biodiversidade e vive-versa como forma de preservar estas paisagens?
  • As metodologias aplicadas em Educação e Interpretação Ambiental unto a visitantes em trilhas de áreas protegidas são eficientes para aumentar a Percepção ambiental, valoração e interpretação das paisagens protegidas?

Para tanto, espera-se com o evento contribuir com a exposição de múltiplos olhares e recursos sobre o tema, através de conferências, mesas redondas, grupos de trabalhos e minicursos, concluindo com a publicação da Carta Nacional para o Manejo de trilhas para Conservação da Biodiversidade e a divulgação do estado da arte sobre o tema.

Sitio web do congresso: http://llcnpmt.wordpress.com